RIO — O Procon Carioca multou a Claro em R$ 210.850 e a Oi em R$ 199.738 pelo baixo desempenho de ambas em medições de velocidade de banda larga móvel realizadas entre os últimos dias 3 e 20. As operadoras TIM e Vivo apresentaram problemas menos graves em relação à conexão, sendo apenas notificadas pelo órgão municipal. Todas têm dez dias para se justificar.
O serviço da Claro falhou em seis dos 16 dias de teste, não permitindo conexão à internet. A pior falha da Oi ocorreu no dia 7, quando não houve conexão pela manhã e, à tarde, a velocidade ficou no nível mínimo. Além disso, ela foi a única a demorar três dias para habilitar o serviço. A Vivo falhou na conexão em três dias e a TIM, em um.
— Fiquei surpresa, não imaginava que os serviços fossem tão ruins. O órgão regulador precisa nos ajudar a melhorar essa situação — disse Solange Amaral, secretária municipal de Defesa do Consumidor.
A Claro só vai se manifestar após analisar o processo. Oi e Vivo disseram não ter sido notificadas. A TIM disse desconhecer a metodologia usada nos testes.
Anatel: empresas abaixo da meta em quatro estados
As três maiores operadoras de telefonia móvel do país — TIM, Vivo e Oi — ficaram abaixo das metas da Anatel em quesitos de medição da qualidade da banda larga móvel, em São Paulo, Rio, Paraná e Minas Gerais, no mês de agosto, segundo o último levantamento disponível da agência. A Anatel determina que a “velocidade instantânea” da banda larga não pode ser menor do que 20% da contratada pelo usuário em 95% das medições realizadas. No Rio, a Vivo só conseguiu atingir a meta mínima de velocidade instantânea da banda larga móvel em 93,69% e a TIM, em 96,57%. O presidente da reguladora, João Rezende, disse ao GLOBO que a qualidade da internet móvel é o grande problema enfrentado pelos consumidores hoje. Segundo ele, existe uma deficiência na estabilidade da rede que leva a interrupções das conexões.
Em São Paulo, a Vivo também ficou abaixo da meta, com percentual de 94,54%. E a TIM está em uma posição ainda pior, com 92,13%. No Paraná, a Vivo só atingiu velocidade instantânea mínimo em 93,8% das medições, abaixo portanto dos 95%. Em Minas Gerais, o problema foi com a banda larga móvel da Oi, que obteve uma velocidade média de 56,67%, abaixo da meta mínima de 60%, que é o resultado da média de todas as medições realizadas no mês.
Queixas à agência crescem 64%
De acordo com a Anatel, o número de reclamações referentes à qualidade da banda larga móvel feitas à reguladora por meio de sua Central de Atendimento cresceu 64% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram registradas 37.346 reclamações — 14,6 mil a mais que nos seis primeiros meses de 2012. A reguladora não divulgou os dados por operadora, pois ainda estão sendo consolidados.
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste — Associação de Consumidores, discorda dos números de queixas apresentados pela Anatel. Segundo ela, o índice de insatisfação dos clientes das operadoras de telefonia e internet é bem maior.
— Esses números não refletem o que verificamos em nossos levantamentos. A quantidade de queixas é bem maior, com certeza. Há uma subnotificação dos casos. O nosso acompanhamento sobre esse setor é rígido, mas os resultados da Anatel sempre ficam abaixo do que registramos. Os critérios usados pela agência não refletem a realidade.
Internet também está entre os assuntos mais reclamados nos Procons de todo o Brasil. Segundo o Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça (Senacon-MJ), esse serviço — tanto móvel quanto fixo — foi o 12° mais reclamado nos órgãos de proteção nos seis primeiros meses deste ano. Foram 27.456 queixas, o correspondente a 2,23% do total registrado. No mesmo período, a Oi, com 97.045 queixas, foi a empresa mais reclamada no ranking geral de fornecedores. A Claro aparece em segundo, com 52.724. A Vivo ficou em 5° (31.696) e a TIM, em 7° (20.225).
fonte: O Globo
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