quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ministério da Agricultura desmente MP gaúcho e diz que leite com álcool não foi comercializado

 PORTO ALEGRE — A superintendência do Ministério da Agricultura (Mapa) no Rio Grande do Sul informou ontem ao ministro Antônio Andrade que o lote de 33,5 mil litros de leite cru contaminados com álcool etílico, recebido no dia 5 de agosto na unidade de Teutônia da BRF, não foi comercializado pela empresa. No dia 30 dia agosto, a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) pediu à Justiça que determinasse a apreensão de todos os lotes de produtos das marcas Elegê e Batavo, produzidos pela BRF por risco de contaminação álcool etílico em sua composição que teria sido identificado pelo Mapa, em amostra de matéria-prima recebida pela unidade fabril.
O MP gaúcho reafirmou que recebeu uma comunicação oficial do Mapa, no dia 29 de agosto, comunicando que havia determinado um "recall" dos produtos industrializados pela BRF com o lote produzido a partir da matéria-prima contaminada.

Ofício remetido pelo superintendente Francisco Signor ao ministro, no entanto, confirma que o leite foi desidratado e, posteriormente, “sequestrado” pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), até a conclusão dos procedimentos investigatórios adotados para esses casos, conforme havia sido informado pela fabricante.
“A Divisão de Defesa Agropecuária (DDA) e o Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa) do Rio Grande do Sul informam que os produtos industrializados derivados do leite não-conforme não foram disponibilizados ao mercado de consumo”, assegura o ofício, assinado pelo superintendente.
O documento, obtido com exclusividade pelo GLOBO, atribui a informação a uma notícia publicada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP), de que a carga de leite cru foi industrializada e posteriormente comercializada. Segundo Signor, a informação foi contestada pela BRF.
A notícia do MP informa que a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre recebeu do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) documentação informando a detecção de álcool etílico em carga de leite cru refrigerado processado pela BRF. “O produto contaminado foi recebido na unidade da empresa localizada em Teutônia, em 5 de agosto, e consiste em um volume aproximado de 33,5 mil litros, que foram industrializados e colocados no mercado de consumo”, diz a nota.
Signor informa ao ministro que a superintendência está respondendo a uma solicitação da empresa quanto “ao desdobramento do assunto internamente”, ao mesmo tempo em que “analisa as próximas medidas a serem tomadas”.
O superintendente foi alertado do suposto erro pelo chefe da DDA, Bernardo Todeschini. O técnico manifesta preocupação com a informação divulgada pelo MP e sugere que o órgão entre em contato com a promotoria para “esclarecimentos”.

 Fonte: O Globo

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